Exclusivo: entrevista com Diogo Cayolla do Sail Portugal no Extreme Sailing Series

A edição 2016 da Extreme Sailing Series vai começar nesta quarta-feira em Muscat, no  sultanato de Omã e pela primeira vez na história Portugal terá um time na competição. E o Notícias Náuticas bateu um papo exclusivo com Diogo Cayolla, comandante da equipe.

Diogo é atleta olímpico português, tendo disputado três Olimpíadas nas classes Star, 49er e Tornado. Com muitos amigos brasileiros, não é raro vê-lo por aqui. Ele, inclusive, fez parte do time brasileiro na Extreme Sailing Series disputada no Rio de Janeiro em 2012.

Confira o que ele tem a dizer sobre esta nova equipe e sobre o futuro da vela portuguesa:

Notícias Náuticas: Você já tem uma certa experiência em multicascos, tendo participado de uma olimpíada na classe Tornato e também de etapas da ESS inclusive com velejadores brasileiros no Rio de Janeiro. Você acha que isso ajuda a buscar o pódio?

Diogo Cayolla: Na minha carreira como velejador fui sempre muito polivalente. Talvez até demais! Desde que comecei na classe Optimist até ao dia de hoje competi em barcos bem diferentes e em várias posições a bordo. Tive o prazer de competir com grandes nomes da vela mundial como o Torben, Rod Davis ou Francesco Bruni entre outros. Com o Torben deu um gostinho especial pois falamos na mesma língua!

Tive a sorte de estar um passo à frente no tipo de barcos que velejei. Quando entrei nos 49er foi o ano de estreia dos skiff como barco olímpico, mudei para o Tornado quando adicionaram o gennaker e estive no início dos Extreme 40 quando a classe foi lançada há dez anos atrás.

Agora, deram-me a oportunidade de continuar na vanguarda com esta experiência de competir em barcos com foils num projeto muito ambicioso para a nossa vela nacional. Por muita vontade que tenhamos de estar no pódio, temos que ser realistas. Temos um longo caminho a percorrer.

Neste início de temporada será muito difícil competir com equipes bem rodadas e muito mais experientes nesta classe. Mas a nossa equipa é equilibrada e muito trabalhadora. Penso que temos um grande potencial.

NN: Como foi a adaptação do barco antigo para este, com foils?

DC: Velejar com foils é como começar tudo de novo. Existe um novo componente a adicionar à complexidade de um barco, que bem regulado pode mudar a velocidade do seu barco de 15 para 30 nós. O entrosamento da tripulação é essencial. Se num barco normal já é muito importante, nesta classe é fundamental.

NN: Esta é a primeira vez que Portugal vai ter um time na ESS. Quais são as suas expectativas?

DC: Uma alegria enorme! Desde que deixei as campanhas olímpicas e comecei a dedicar-me a barcos maiores que não corria pelo meu país num circuito mundial. Como a vela de oceano em Portugal ainda não é muito desenvolvida, acabei velejando sempre com equipes de outras nacionalidades.

Esta chance que me deram de liderar uma equipe portuguesa em um circuito desta dimensão foi fantástica. Felizmente no nosso país temos grandes velejadores e irei tentar fazer tudo para os potenciar assim como aos nossos parceiros e patrocinadores.

NN: Como foi a seleção do time português?

DC: Felizmente temos qualidade em Portugal. No entanto a dificuldade é arrumar alguém com o perfil certo para cada função. Nesta parte inicial do projeto, em uma equipe composta por dez pessoas, somos em grande maioria portugueses mas temos um espanhol e um neozelandês que estamos seguros nos trarão a experiência necessária para encurtar o tempo de aprendizagem neste barco. É nossa intenção com o decorrer do projeto ir aumentando o número de velejadores nacionais na equipe.

NN: Considerando sua paixão pelo Brasil, você acha que deveria ter uma etapa do ESS no Rio de Janeiro após as Olimpíadas?

DC: Seria fabuloso! A cidade Maravilhosa tem um visual perfeito para este tipo de evento. O campeonato de 2012 foi fantástico! Adoro o Brasil e o Rio de Janeiro em particular.

Vocês têm grandes velejadores reconhecidos por todo o globo: Torben e Lars Grael, Robert Sheidt, Santa Cruz, Bimba, Ivan Pimentel, André Mirsky e outros tantos mais. Para além de ter aprendido muito com eles tenho a sorte de nutrir uma forte amizade que dura já há muitos anos. Qualidade desportiva, mas acima de tudo humana não falta nesse vosso país.

Seria muito interessante no futuro desenvolver uma parceria ou mesmo projeto a longo prazo ligado a uma competição de alto nível entre os nossos dois países. Esse é um dos objetivos do Sail Portugal. É tentar criar pontes que liguem ainda mais o Brasil e Portugal, quem sabe num futuro próximo ainda vamos ter um time dos dois países! Sempre falando em português!

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