Especial Velejadores Paralímpicos: Marcão, Jamaica e Herivelton

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Antonio Marcos do Carmo e José Matias Gonçalves de Abreu são mineiros. Herivelton Ferreira é brasiliense. Nascidos longe do mar, os três são os representantes paralímpicos brasileiros…. na vela! O trio compete na classe Sonar e arranca sorrisos por onde passa. Sempre animados e com sotaques divertidos, são categóricos em dizer que, quem veleja pela primeira vez, não quer parar jamais.

José e Marcos competem juntos há cinco anos e contavam com o reforço de Tui Oliveira, que acabou sendo substituído por Herivelton há pouco mais de dois meses por conta de uma doença.

“Comecei a velejar em 2011 na Lagoa dos Ingleses, através de um convite de um amigo. Dois meses depois corri meu primeiro campeonato Brasileiro de Sonar e fomos vice-campeões. No mesmo ano comece a velejar no exterior e aí não parei mais”, conta José, mais conhecido como Jamaica. Ele nasceu com uma doença chamada Osteogênese Imperfeita (ou Ossos de Vidro), que deixa os ossos fragilizados, fazendo com que se quebrem com facilidade. Aos 28 anos, o mais jovem integrante do time brasileiro já teve mais de 70 fraturas. Iniciou um tratamento em 2002 e em 2007 estava praticamente curado.

O primeiro contato de Marcão com a vela também foi através de um amigo, na mesma lagoa, em setembro 2006. O gosto pela competição veio em dezembro do mesmo ano, em São Paulo, com um quarto lugar no Campeonato Brasileiro. De lá para cá, outros bons resultados deram um impulso na carreira do velejador. Aos 11 anos Marcão foi atropelado saindo da escola e sofreu uma lesão na coluna, deixando sua perna direita dormente e sem sensibilidade. Anos mais tarde, após muitas lesões, acabou optando por amputar o membro e hoje leva uma vida até mais ativa do que antes.

Em 2011 Marcão, Tui e Jamaica começaram a velejar juntos e a competir fora do país. O sonho paralímpico dos três veio em 2013, mas o Brasil possuía apenas um barco da classe Sonar e era difícil treinar assim. Há pouco mais de um ano, no entanto, mais três barcos foram adquiridos e uma base de treinamento foi montada no Clube Naval Charitas, em Niterói. Os três não se mudaram para o Rio de Janeiro, como Bruno Landgraf e Marinalva Almeida, da classe Skud, porém passavam cerca de 20 dias por mês treinando na Guanabara.

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Com a saída de Tui, Herivelton veio reforçar o time. Ele começou a velejar no Paranoá através de um projeto de reabilitação do Hospital Sarah Kubitschek em 2010. Em 2009 ele sofreu um acidente de moto e teve os nervos do braço esquerdos rompidos, perdendo o movimento. Quando subiu no barco pela primeira vez, não quis nem saber dos outros esportes que eram oferecidos pelo hospital. Conheceu a classe Sonar em dezembro de 2015 após um campeonato de Ranger 22 em Porto Alegre. “Fui convidado para testar o Sonar e gostei. Com a saída do Tui, acabei sendo convocado para fazer parte do time que disputaria a Paralimpíada. Tudo para mim tem acontecido no susto. O universo tem conspirado a favor”.

No Rio 2016 a classe Sonar conta com 16 participantes e é apontada como uma das mais equilibradas, com ao menos 10 barcos com chances de medalha, dentre eles o brasileiro. “Ganha quem souber ajustar os detalhes. Estamos muito focados, querendo melhorar a cada dia”, diz Jamaica. “A Paralimpíada é o ápice do esporte. Melhor que estar aqui é estar aqui e ganhar uma medalha de ouro”, completa Herivelton.

O Sonar é um barco para três tripulantes, que precisam ser deficientes e estas deficiências precisam somar 14 pontos. Amputados somam 7, tetraplégicos, 1, paraplégicos 2 ou 3 dependendo da altura da lesão, e existe ainda uma avaliação funcional com os movimentos que eles fazem e com a função dentro do barco.  No barco brasileiro, Marcão é o timoneiro, Jamaica o trimmer da vela mestra e Herivelton o proeiro.

Quem quiser assistir de perto as regatas, pode garantir o seu ingresso clicando aqui. As regatas começam nesta segunda-feira e terminam no próximo dia 17. Serão usadas as raias do Pão de Açúcar e da Escola Naval.

 

 

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