Francis Joyon parte para disputa do Trofeu Julio Verne de barco mais rápido a dar a volta ao mundo

E o pessoal gosta mesmo de dar a volta ao mundo a vela. Depois da partida do italiano Gaetano Mura, em outubro, a bordo de um Classe 40; dos 28 skippers ainda na disputa da Vendée Globe, regata mais dura do mundo, pois não possui paradas e nem assistência, neste domingo foi a vez de Francis Joyon e sua equipe partirem para a disputa do Trofeu Julio Verne. A bordo do maxitrimarã de 31 metros Idec Racing, o time tentará completar as 25 mil milhas do percurso antes do dia 5 de janeiro de 2017, ou seja, em menos tempo que o atual recorde que é de 45 dias, 13 horas, 42 minutos e 53 segundos, estabelecido em 2012 por Loick Peyron e sua equipe de 13 tripulantes. Joyon veleja com apenas mais cinco, os mesmos que tentaram conquistar o troféu no ano passado.

Para acompanhar a travessia do IDEC, clique aqui.

Sobre o Trofeu Julio Verne

No dia 13 de agosto de 1990, um grupo de amigos, dentre eles os franceses Titouan Lamazou, Florence Arthaud, Bruno e Loïck Peyron, Jean-Yves Terlain, o neozelandês Peter Blake e o britânico Robin Knox-Johnston estavam nos arredores de Paris e resolveram criar um troféu chamado Julio Verne (autor do livro A Volta Ao Mundo Em 80 Dias) que seria dado ao velejador mais rápido a dar a volta ao mundo passando pelos três cabos: Boa Esperança, Leewin e Horn. A largada e a chegada seriam dadas entre o farol de Créac’h, em Ushant, e o farol de Lizard.

Em 1992/93 três tripulações resolveram entrar na disputa do troféu: a primeira, comandada por Olivier de Kersauson não cumpriu a rota. As outras duas, comandadas por Bruno Peyron e pela dupla Peter Blake e Robin Knox-Johnston, partiram com um gap de apenas 7 horas entre elas. Na passagem pelo cabo da Boa Esperança, Kersauson se chocou com um objeto e foi obrigado a desistir. O mesmo aconteceu com Blake e Knox-Johnston no oceano Índico. Peyron, então, se viu sozinho contra o relógio e 79 dias, 6 horas, 15 minutos e 46 segundos depois de partir, no dia 20 de abril de 1993, ele e sua equipe levaram para casa o primeiro Trofeu Julio Verne, completando a volta ao mundo em menos de 80 dias.

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Um ano mais tarde, Blake e Knox-Johnston partiram para a revanche e completaram a volta ao mundo em 74 dias, 22 horas, 17 minutos e 22 segundos, baixando o tempo em mais de 4 dias. Kersauson também tentou baixar este tempo mais duas vezes, em 1995 e 1996, sem sucesso. Em 1997 finalmente ele conseguiu colocar seu nome no trofeu, com o tempo de 71 dias, 14 horas, 22 minutos e 8 segundos.

Em 2002, Peyron e Kersauson partiram para mais uma volta ao mundo, mas Peyron teve que retornar algumas horas depois da partida. Kersauson continuou até a costa brasileira, onde se retirou da regata. Enquanto isso, Bruno Peyron consertou o seu Orange e voltou para a disputa, completando a volta ao mundo em 64 dias, 8 horas, 37 minutos e 24 segundos. Além do recorde, ele se tornou o primeiro a colocar o seu nome duas vezes no troféu.

Em 2003, Olivier de Kersauson convidou Ellen MacArthur para mais uma volta ao mundo, sem sucesso. Em 2004, ele foi de novo, desta vez contra Bruno Peyron e baixou o tempo para 63 dias, 13 horas, 59 minutos e 48 segundos.

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Em 2004 Steve Fosset entrou na brincadeira e completou o percurso em 58 dias, 9 horas, 32 minutos e 45 segundos. Porém, como ele não pagou as taxas do troféu, o recorde não valeu. Um ano depois, Peyron quis novamente baixar o recorde e conseguiu: 50 dias, 16 horas, 20 minutos e 4 segundos.

A brincadeira ficou mais séria ainda quando Franck Cammas resolveu construir um barco especialmente para disputar o troféu e, a bordo de maxitrimarã Groupama, de 31.5 metros, partiu para a volta ao mundo em 2007. Na costa da Nova Zelândia, no entanto, ele capotou e todos a bordo tiveram que ser resgatados. Em 2008, ele partiu novamente. Uma quebra, no entanto, fez com que tivesse que abandonar a disputa ainda no Atlântico Sul.

Em 2010 Cammas tentou de novo dar a volta ao mundo e…conseguiu! Baixou o tempo para 48 dias, 7 horas, 44 minutos e 52 segundos, se tornando o nono nome a vencer o troféu.

Em 2011, com um trimarã ainda maior, o Banque Populaire V, com 40 metros, Pascal Bidégorry partiu para a sua tentativa de quebra de recorde, mas também de chocou com o OFNI e desistiu. No mesmo ano, Loick Peyron e seus 13 tripulantes baixaram o tempo ainda mais, para 45 dias, 13 horas, 22 minutos e 53 segundos. Vinte e dois anos depois do primeiro recorde, o troféu voltaria para as mãos da família Peyron.

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Em 2015/16 Francis Joyon, recordista mundial em solitário resolveu dar a volta ao mundo com uma equipe de seis velejadores a bordo do Idec Sport, ex-Groupama 3, de 31 metros, recordista em 2010. Porém, Yann Guichard, com 13 velejadores a bordo do Spindrift, de 40 metros (ex Banque Populaire, de Loick Peyron), também resolveu velejar. A disputa foi muito acirrada e fotos de condições extremas, enviadas por Joyon, marcaram aquela disputa. Após 47 dias, 4 horas apenas separaram as duas tripulações, que não tiveram sorte com o tempo no final.

Será que Joyon conseguirá baixar ainda mais o tempo de volta ao mundo?

Recordes do Trofeu Julio Verne:

1993 : Bruno Peyron no Commodore Explorer – Catamarã – 79d 6h 15min 56s
1994 : Peter Blake e Robin Knox-Johnston no Enza – Catamarã – 74d 22h 17min 22s
1997 : Olivier de Kersauson no Sport Elec – Trimarã – 71d 14h 22min 8s
2002 : Bruno Peyron no Orange – Catamarã – 64d 8h 37min 24s
2004 : Olivier de Kersauson no Geronimo – Trimarã – 63d 14h 59min 46s
2004 : Steve Fossett no Cheyenne – Catamarã – 58d 9 h 32 min 45 s
2005 : Bruno Peyron no Orange 2 – Catamarã – 50d 16h 20min 4s
2010 : Franck Cammas no Groupama 3 – Trimarã – 48d 7h 44min 52s
2012: Loïck Peyron no the Maxi Banque Populaire V – Trimarã – 45d 13h 42min 53s

Tempo a ser batido: 45 dias 13 horas 42 minutos e 53 segundos

Últimos resultados:

2016 : Yann Guichard no Spindrift – Trimarã – 47 d, 10 hrs e 59 minutos. 2º melhor tempo
2016 : Francis Joyon no IDEC SPORT – Trimarã – 47 dias 14 hrs e 47 minutos. 3º melhor tempo

 

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